Sobre o ombro de gigantes: o que a história da reflexologia muda no seu atendimento

Sobre o ombro de gigantes: ilustração de três mulheres uma sobre os ombros da outra olhando o horizonte, a do alto segurando um livro com o desenho dos pés

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“Antes eu estava muito mais empolgada. […] Baixou a minha bateria.”

Quem me disse isso foi uma reflexoterapeuta que já atende, numa conversa comigo. E ela fez questão de dizer que o resultado continuava lá. “Eu sei que dá, eu confio no que eu faço.” O que tinha baixado era o ânimo.

É por causa de frases assim que eu coloquei a história da reflexologia logo no começo da formação, antes dos pontos. Eu expliquei o motivo numa aula em junho:

Quanto mais a gente conhece a história, quanto mais a gente conhece as pessoas que trouxeram para nós, mais a gente começa a ter amor pela reflexologia e a entender que realmente funciona.

Hoje, último dia da Semana Mundial da Reflexologia, eu quero mostrar o que muda no atendimento de quem sabe que está sobre o ombro de gigantes. As datas e os nomes eu já contei em história da reflexologia: de onde veio o que se pratica hoje. Aqui eu quero falar do que cada um deles deixou como gesto, e que você pode levar para a sua próxima sessão.

Sobre o ombro de gigantes: a história é o que dá segurança a quem você atende

Quando uma pessoa chega para a primeira sessão, ela está confiando em você sem saber direito o que é a reflexologia. Numa conversa de mentoria, eu disse: você precisa saber a história do seu trabalho, de onde ele veio, como as pessoas chegaram ao que a gente pratica hoje, porque isso dá segurança para quem você atende. A pessoa passa a acreditar de verdade no que está recebendo.

Ninguém precisa dar aula de história durante a sessão. Basta falar da reflexologia com o chão firme embaixo dos pés.

Eunice Ingham: não esperar a pessoa chegar

Eunice Ingham passou décadas viajando para ensinar. Eu contei a história dela, com trechos do livro que ela publicou em 1938, no artigo sobre Eunice Ingham. Mas o gesto dela que eu ensino às minhas alunas é outro:

Ela não ficava só ali esperando que a pessoa viesse no consultório dela. […] Então usa isso e pensa numa maneira de vocês fazerem isso também.

No começo do mês eu escrevi que o que acontece com a reflexologia na sua cidade depende de você. Esse gesto vem de quem organizou a reflexologia: ela foi até as pessoas.

Margarita Gotthold: prestar atenção e anotar

A Margarita Gotthold, minha professora em Assunção, aprendeu na fonte, com a própria Eunice Ingham. No livro de curso que ela escreveu, está dito, em tradução livre, que quando a pessoa reage, dizendo que dói ou contraindo o músculo, é preciso prestar atenção a que parte do corpo corresponde aquela área sensível, e ter isso em mente durante todo o trabalho.

Décadas depois, é o que eu ensino na formação, quase com as mesmas palavras:

Preste atenção naquele ponto que parte do corpo ele corresponde, aquela área sensível, qual é a parte do corpo que está correspondendo? E aí tenha em mente durante as demais sessões. Seria interessante também você anotar.

É assim que o ombro de gigantes aparece na prática: a lição chegou inteira, de mão em mão. E junto com ela veio outro cuidado que a Margarita deixou por escrito: quando a pessoa pergunta por que dói num ponto, fala-se da região, nunca de um órgão específico. O que o pé mostra orienta o trabalho; diagnóstico é do médico.

Não levar o problema da pessoa para casa

Tem uma lição da Margarita que protege o ânimo de quem atende. Eu contei numa aula:

[…] eu acho que isso foi muito importante para a nossa vida inteira como reflexoterapeutas, é nunca levar o problema das pessoas para casa.

Cuidar com método é isto: você faz a anamnese, mantém tudo registrado, estuda antes de a pessoa voltar. É isso que ajuda a cliente. Ficar sofrendo por ela em casa não ajuda nem ela, nem você.

Colega é com quem se aprende

O livro de curso da Margarita também fala de ética com os colegas: não criticar. Se o seu trabalho dá resultado melhor, a palavra corre sozinha.

Eu e o Edélcio vivemos isso a vida inteira. A gente conversava sobre o que cada um tinha aprendido, um aprendia com o outro. Por isso eu insisto que os reflexoterapeutas conversem entre si. Não se vê um como rival do outro. Todo mundo está ali para aprender, e é assim, conversando caso a caso, que se adquire o olhar clínico.

O conhecimento não se guarda

Estar sobre o ombro de gigantes traz uma lição que eu passo às alunas desde o primeiro módulo da formação: o conhecimento não pode ser guardado a sete chaves. Ele precisa ser compartilhado, ou perde o valor.

E, para quem sentir que a bateria baixou, a frase que fecha o livro de curso da Margarita é um bom lugar para recomeçar:

É muito bom ser importante. Mas é muito mais importante ser bom.


Da Margarita para a sua sessão: estudar sistema por sistema

Estudar sistema por sistema, como a Margarita ensinava, é o que a Formação Reflexologia de Referência faz ao longo de 12 meses — sistema nervoso, intestino e queixa, caso a caso. Se você já atende e quer conduzir cada sessão com esse critério, o próximo passo é um formulário rápido, com perguntas sobre como você atende hoje. Sou eu mesma que leio cada resposta.

Prefere começar pelo material gratuito? Baixe o Checklist de Raciocínio de Sessão.

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